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como trabalhamos

O que fazemos em Medellín, e por que fazemos assim.

01

co-criar

O mOst não chega para contar um bairro de fora. Com os nossos parceiros, criamos as condições para que crianças e jovens produzam os seus próprios relatos: escolhem o que fotografar, o que guardar, que título dar, o que escrever. Os moradores não são um público: são as autoras e os autores, os guias, os pesquisadores e os primeiros espectadores do que se produz. É isso que os direitos culturais significam para nós: o direito de produzir as imagens da própria vida e de decidir como elas circulam.

02

ler e fazer imagens

Num mundo saturado de imagens, aprender a fazer uma é também aprender a lê-la: o que ela mostra, o que deixa fora do quadro, o que diz de quem a faz. As oficinas fortalecem a atenção, a confiança, a capacidade de escolher, de argumentar e de contar. A fotografia se torna uma forma de falar de si, dos outros e do território; a escrita transforma a foto em relato; a caminhada liga a criação à experiência concreta do bairro.

03

o bairro como sala de exposição

Cada projeto termina com uma devolutiva pública no bairro, e não numa galeria do centro. Os cartazes são colados nas fachadas, nos muros das canchas, nas esquinas, em frente às tiendas. No dia da abertura, as autoras e os autores guiam a visita. Os vizinhos se reconhecem, reconhecem uma porta, uma avó, uma escada. Expor onde se vive é fazer dos bairros populares lugares de cultura, e não mais apenas temas.

04

o arquivo vivo

Uma fotografia feita por uma criança em 2024 já tem valor de arquivo: guarda uma rua antes da sua transformação, um rosto antes de crescer, uma tienda que vai fechar. Cada projeto deixa fotos, sons, textos, mapas, filmes. Nós documentamos, organizamos e devolvemos tudo isso às famílias e às organizações do bairro. Essa memória é viva porque continua sendo olhada, comentada, completada.

05

o museu-arquivo de golondrinas

Em Golondrinas, a JAC e os moradores querem ir mais longe: montar um museu-arquivo comunitário. Reunir as fotos de família e os documentos de quem fundou o bairro, gravar os mais velhos, juntar as imagens das crianças desde 2024 e o material bruto do filme, digitalizar tudo e conservar ali mesmo, expor na junta e na rua. Um museu que não sai do bairro, feito por ele, para ele, e aberto aos outros.

06

as periferias conversam

Favela ocho colocou frente a frente Llanaditas, a Rocinha e a Maré. O mOst também trabalha em Montreuil, em Melun, em Valle de Chalco, no México, e há vários anos no Rio. De um bairro a outro, os jovens comentam as imagens dos outros, reconhecem uma cancha, uma escada, um jeito de sentar na calçada. Ligar as periferias entre si, sem passar pelo centro.

07

os parceiros e o seu papel

Os projetos só existem graças às organizações que vivem esses bairros no dia a dia. O papel delas não se limita a nos receber: escolhem conosco os lugares, mobilizam as famílias, continuam o trabalho depois que vamos embora.

JAC Golondrinas

A Junta de Acción Comunal do bairro Las Golondrinas, eleita pelos moradores. Ela abre a sede comunitária, faz a ponte com as famílias e leva adiante, conosco, o filme e o futuro museu-arquivo do bairro.

Movimiento Urbano

Movimiento Urbano

Nascido em 2005 em Enciso El Pinal, na comuna 8, em plena época de violência, esse coletivo acompanha crianças e jovens por meio da música, da dança e das artes. Parceiro de donde el arte une e de favela ocho.

Centro de Desarrollo Social Los Mangos

Equipamento público da comuna 8, parceiro do primeiro parchecito em Golondrinas.

Señales de Humo

Coletivo audiovisual da comuna 3, parceiro de la comunidad preciosa em Bello Oriente.

Fotogracria · Arteviana

Duas artistas do Rio de Janeiro, uma da Rocinha e a outra da Maré, cujas fotografias abriram o diálogo de favela ocho.

Departamento de Seine-Saint-Denis

Departamento de Seine-Saint-Denis

Com o apoio do Departamento de Seine-Saint-Denis (França).

08

pequeno glossário

Algumas palavras dos bairros, tal como aparecem nos textos das crianças e dos jovens.

parche

O lugar onde a gente se encontra, a turma, o tempo passado junto. Parchar: ficar junto, de bobeira. Parchecito: o parche pequeno.

comuna

Grande divisão administrativa de Medellín (dezesseis comunas urbanas e cinco corregimientos rurais). A comuna 8 é Villa Hermosa; a comuna 3, Manrique.

jac

Junta de Acción Comunal: o conselho do bairro eleito pelos moradores (algo como uma associação de moradores), com a sua sede, “a junta”.

metrocable

O teleférico urbano de Medellín, que liga os bairros das encostas ao metrô. A linha M sobe até o 13 de Noviembre.

cancha

A quadra de esportes do bairro, quase sempre cercada por alambrado, muitas vezes iluminada à noite.

tienda

A vendinha do bairro: onde se fazem as compras, onde se joga nas maquininhas, onde se conversa.

loma

A ladeira, a subida. Os bairros da montanha são feitos de lomas e de escadarias.

plancha

O teto plano de concreto, onde se brinca e se estende a roupa: o que no Rio se chama de laje.

chimba

“¡Qué chimba!”: incrível, demais, no jeito de falar de Medellín.

pelao

O garoto, a garota, o jovem do bairro.

cria

No Rio, a criança da favela, quem nasceu e cresceu lá. Fotogracria é a fotografia feita por uma cria.

echado pa'lante

Echado pa'lante: quem vai em frente, quem não se deixa abater.

mandados

As compras e os pequenos favores que se fazem para a família.

chucha cogida

Chucha cogida: o pega-pega, em Medellín.

tinto

O café preto, servido nas padarias e nas tiendas.